terça-feira, abril 04, 2006

Eis a carta suicida

Alguém atenderá um telefonema

e com voz fúnebre me lembrará a Metáfora...

Já não estou aqui,

o telefone chamará e será escutada uma voz estranha,

incerta,

insegura de ser ou não voz:

uma palavra,

um pedido,

gemido,

uns rumores,

fonemas que se distanciam e nem mais se escutam.

O que se procura?

O corpo...?

Como podem perguntar por isso,

deviam perguntar por alma,

espírito,

ou como queiram,

vida.

O corpo nem sentiu quando se enroscou em braços,

pernas arames farpados e tudo jorrou como fonte descontrolada.

O corpo flutuou e se pôde ver de longe o envolvimento se dissolver em prazer esgotando de tanto (tanto quase) viver.

A voz fúnebre reminiscenciará idéias de outra existência e mesmo assim explodirá em risos,

congratulações esperançosas que ninguém se faz ouvir.

No meio da voz os gritos não irão ouvir e tudo será em vão.

Perguntas,

desejos,

pensamentos,

tudo vão e ela não estará lá pra preencher,

Pedirá silêncio mesmo não escutando a voz,

o grito e se contorcerá reconhecendo que está a sós com o medo.

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