Alguém atenderá um telefonema e com voz fúnebre me lembrará a Metáfora... Já não estou aqui, o telefone chamará e será escutada uma voz estranha, incerta, insegura de ser ou não voz: uma palavra, um pedido, gemido, uns rumores, fonemas que se distanciam e nem mais se escutam. O que se procura? O corpo...? Como podem perguntar por isso, deviam perguntar por alma, espírito, ou como queiram, vida. O corpo nem sentiu quando se enroscou em braços, pernas arames farpados e tudo jorrou como fonte descontrolada. O corpo flutuou e se pôde ver de longe o envolvimento se dissolver em prazer esgotando de tanto (tanto quase) viver. A voz fúnebre reminiscenciará idéias de outra existência e mesmo assim explodirá em risos, congratulações esperançosas que ninguém se faz ouvir. No meio da voz os gritos não irão ouvir e tudo será em vão. Perguntas, desejos, pensamentos, tudo vão e ela não estará lá pra preencher, Pedirá silêncio mesmo não escutando a voz, o grito e se contorcerá reconhecendo que está a sós com o medo. |

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